Esteja tudo bem ou não, preocupamo-nos o tempo todo com o que falar e como falar. Quando o sentimento e a verdade deveriam falar mais alto, os costumes de praxe cegam e tornam os relacionamentos medíocres.
Alguém se lembra daquele empregado politicamente correto sempre, mas sem nenhuma criatividade? Alguém se lembra daquele professor que era extremamente fiel ao livro e não fornecia nenhuma "informação adicional"? Alguém se lembra daquele colega impecável que sempre estava neutro nas discussões em sala de aula? Não.
Lembramo-nos sempre dos exageros, das pessoas diferentes, marcantes, apaixonadas... Memórias que tem carga emocional se fixam mais que outras, entretanto não preocupamo-nos em fazer história.
Vivemos em um mundo onde é pregado a liberdade e a aceitação. Liberdade essa que abre portas por um lado e fecha por outro. Somos ensinados a aceitar as diferenças, mas não à ser diferentes. Aprendemos que encontrar é importante, mas não sabemos a diversão da procura. Aprendemos que alcançar é essencial, porém nos esquecemos que “o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia” (João Guimarães Rosa, 1986: 26-52).
Vivemos a era da queda dos preconceitos. Contudo, continuamos vendo uma segunda intenção em tudo que os outros fazem. Vez e outra duvidamos até mesmo da nossa própria intenção. Estamos fadados a sermos superficiais. Demonstrações de carinho, importância e afeição têm sempre limites. Sejam esses hierárquicos ou de parentesco.
Entendam, limites que mantenham a ordem e a moral são realmente importantes. Não é coerente chorar durante uma reunião de trabalho, ou sair por aí fazendo maluquices justificando paixão e vontade incomparáveis. As barreiras que precisam ser ultrapassadas são as da formalidade, da cordialidade forçada, da superficialidade dos atos.
É fácil explodir e falar sem pensar. Ter atitudes impensadas num momento de raiva é simples e natural. Difícil mesmo é expressar sentimentos como amor, fragilidade, admiração, complacência, afeição... Há sempre algo que nos impede:- Mas se eu for até lá eles irão pensar que...
Paciência e inteligência interpessoal¹ são importantes para as relações sociais. Porém, a intenção precisa ser sempre maior que o método.
"Conhecer alguém aqui e ali que pensa e sente como nós, e que embora distante, está perto em espírito, eis o que faz da Terra um jardim habitado."Goethe
¹ inteligência interpessoal: concernente à Teoria das Múltiplas Inteligências de Howard Gardner (1985).

"Estamos fadados a sermos superficiais."
ResponderExcluirSeguindo a superficialidade: ótimo texto.
Depois venho aqui romper essa barreira e fazer um comentário decente.