sexta-feira, 22 de abril de 2011

Grande... não cabe nos braços, nem no abraço...


Todo esse vazio daria uma bela poesia...Mas em momentos como esse me sinto meio "oca". A criatividade simplesmente desaparece e por mais que eu tente me libertar desse ciclo vicioso existe algo que me prende. Nada parece ser suficiente. As crianças parecem estar falando mais alto que o normal, a manhã passa furtiva... Eu posso ver o dia se esvaindo, tento fazer algo que seja realmente útil, porém tudo parece ser tão ínfimo, tão banal. Nesses dias pareço anômica. Incapaz de tomar as rédeas da minha própria vida. Mas tudo, inclusive esses dias, fazem parte do que sou. E eles mesmo que aparentemente infrutuosos são indispensáveis à vida plena. Afinal, são a súmula da vida sem poesia.



"O grande vazio em mim será o meu lugar de existir; minha pobreza extrema será uma grande vontade."


Clarice Lispector

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Ah! O Tempo...

"Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?"
Cecília Meireles

A paciência é difícil. Aceitar o tempo e usá-lo com sabedoria é mais difícil ainda. Mesmo para aqueles que não conhecem a procrastinação.


Cada segundo é indispensável. Cada minuto precisa ser útil. A medição do tempo foi um dos principais fatores para a evolução da humanidade. No entanto hoje nos vemos passivos diante dele. Corremos, estudamos, trabalhamos, corremos mais um pouco, construímos, acumulamos e por fim apenas corremos... A anosidade chega, mas não sentimos, não tudo que deveríamos ter sentido... Sei que o suficiente não existe. Sei que tem sempre algo para ser feito, dito, visto...

Eu na minha incansável procura só espero a paz da experiência, o refúgio da sabedoria, o conforto do ócio criativo. Quero tirar "férias de lagarto"...  Alea jacta est!¹



¹Alea jacta est: Os dados estão lançados ou a sorte está lançada.



terça-feira, 19 de abril de 2011

Automaquia

Esteja tudo bem ou não, preocupamo-nos o tempo todo com o que falar e como falar. Quando o sentimento e a verdade deveriam falar mais alto, os costumes de praxe cegam e tornam os relacionamentos medíocres.


Alguém se lembra daquele empregado politicamente correto sempre, mas sem nenhuma criatividade? Alguém se lembra daquele professor que era extremamente fiel ao livro e não fornecia nenhuma "informação adicional"? Alguém se lembra daquele colega impecável que sempre estava neutro nas discussões em sala de aula? Não.
Lembramo-nos sempre dos exageros, das pessoas diferentes, marcantes, apaixonadas... Memórias que tem carga emocional se fixam mais que outras, entretanto não  preocupamo-nos em fazer história. 

Vivemos em um mundo onde é pregado a liberdade e a aceitação. Liberdade essa que abre portas por um lado e fecha por outro. Somos ensinados a aceitar as diferenças, mas não à ser diferentes. Aprendemos que encontrar é importante, mas não sabemos a diversão da procura. Aprendemos que alcançar é essencial, porém nos esquecemos que “o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia” (João Guimarães Rosa, 1986: 26-52). 

Vivemos a era da queda dos preconceitos. Contudo, continuamos vendo uma segunda intenção em tudo que os outros fazem. Vez e outra duvidamos até mesmo da nossa própria intenção. Estamos fadados a sermos superficiais. Demonstrações de carinho, importância e afeição têm sempre limites. Sejam esses hierárquicos ou de parentesco. 

Entendam, limites que mantenham a  ordem e a moral são realmente importantes. Não é coerente chorar durante uma reunião de trabalho, ou sair por aí fazendo maluquices justificando paixão e vontade incomparáveis.  As barreiras que precisam ser ultrapassadas são as da formalidade, da cordialidade forçada, da superficialidade dos atos. 

É fácil explodir e falar sem pensar. Ter atitudes impensadas num momento de raiva é simples e natural. Difícil mesmo é expressar sentimentos como amor, fragilidade, admiração, complacência, afeição... Há sempre algo que nos impede:- Mas se eu for até lá eles irão pensar que...

Paciência e inteligência interpessoal¹ são importantes para as relações sociais. Porém, a intenção precisa ser sempre maior que o método.




"Conhecer alguém aqui e ali que pensa e sente como nós, e que embora distante, está perto em espírito, eis o que faz da Terra um jardim habitado."
Goethe

¹ inteligência interpessoal: concernente à Teoria das Múltiplas Inteligências de Howard Gardner (1985).